O advogado Walter Neto, que ganhou espaço nas redes sociais com vídeos relacionados à política de Alagoinhas e manifestações em defesa do prefeito Gustavo Carmo, foi preso em Itacaré, no sul da Bahia, durante uma investigação por suspeita de estupro contra uma mulher uruguaia, de 55 anos.
A prisão ocorreu no dia 11 de agosto, durante a Operação Malhas da Lei, conduzida pela Polícia Civil da Bahia. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a mulher teria sido atraída para uma região rural de Itacaré com a promessa de trabalhar na administração de um camping. Posteriormente, ela relatou às autoridades ter sido vítima de violência sexual em duas ocasiões.
A prisão preventiva foi determinada pela Justiça. A OAB de Sergipe confirmou que tomou conhecimento da prisão e informou que já havia um processo ético-disciplinar contra Walter Neto relacionado a fatos anteriores. A entidade afirmou que solicitará informações às autoridades para avaliar eventuais novas medidas, ressaltando que não antecipa juízo de responsabilidade.
A relação com a política de Alagoinhas
Antes da prisão, Walter Neto vinha utilizando as redes sociais para comentar assuntos relacionados à política de Alagoinhas.
Em um dos vídeos analisados pelo Giro Alagoinhas, o advogado faz referências diretas ao prefeito Gustavo Carmo e à chamada CPI.
Em determinado momento da gravação, ele afirma:
“Acabei a CPI agora. Fui eu.”
O vídeo também apresenta manifestações de apoio a Gustavo Carmo e críticas direcionadas a opositores.
A referência ganha importância porque, no período em que a crise do SAAE passou a ocupar o centro do debate político municipal, vereadores da oposição discutiam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a situação da autarquia.
CPI do SAAE
A vereadora Luma Menezes publicou informações sobre a proposta de abertura de uma CPI para investigar o SAAE em meio às reclamações da população sobre o aumento das contas de água e à discussão sobre o endividamento da autarquia.
Segundo publicação do próprio mandato de Luma, a proposta tinha como objetivo dar transparência à situação financeira do SAAE, apurar a dimensão da dívida e, caso fossem identificadas irregularidades, buscar a responsabilização dos envolvidos.
Naquele momento, a proposta contava com apoio de Luma Menezes, Luciano Almeida e Osvaldo Tó, mas precisava alcançar o número mínimo de assinaturas para avançar na Câmara.
O assunto também repercutiu na imprensa baiana. O Bahia Notícias registrou, em julho de 2025, que a possibilidade de instalação de uma CPI para apurar a dívida do SAAE havia provocado um embate político, enquanto o prefeito Gustavo Carmo atribuía parte dos problemas financeiros da autarquia a administrações anteriores.
A própria publicação de Luma registra que Gustavo Carmo havia falado publicamente sobre a situação financeira do SAAE e atribuído o déficit a gestões anteriores.
O que ainda não está comprovado
Embora Walter Neto apareça em vídeos defendendo Gustavo Carmo e fazendo referência à CPI, o Giro Alagoinhas não encontrou, até o momento, documento público que comprove que ele tenha sido formalmente constituído como advogado do prefeito especificamente para atuar contra a CPI do SAAE.
Por isso, a relação entre a atuação do advogado e o procedimento parlamentar deve ser apresentada com cautela.
O que é possível afirmar é que:
- havia uma discussão política sobre a abertura da CPI do SAAE;
- Luma Menezes estava entre os vereadores que defendiam a investigação;
- Gustavo Carmo estava diretamente envolvido no debate público sobre a situação financeira da autarquia;
- e Walter Neto publicou vídeos em que manifesta apoio ao prefeito e menciona a CPI, inclusive afirmando que havia acabado de tratar do assunto.
Prisão em Itacaré
A prisão de Walter Neto ocorreu semanas após esse período de exposição nas redes sociais.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, ele é investigado por suspeita de estupro contra uma mulher uruguaia. A Polícia Civil realizou diligências após a denúncia e solicitou as medidas judiciais que resultaram na prisão.
A OAB/SE confirmou oficialmente a prisão e informou que havia processo ético-disciplinar anterior contra o advogado. A instituição afirmou que irá analisar os elementos oficiais do novo caso antes de adotar eventuais providências disciplinares.
Até o momento, Walter Neto é investigado e está preso preventivamente. A prisão e a investigação não equivalem a uma condenação, cabendo à Justiça analisar as provas e determinar a responsabilidade criminal.
O Giro Alagoinhas segue apurando a participação de Walter Neto nas discussões envolvendo a CPI do SAAE e a extensão de sua atuação em defesa do prefeito Gustavo Carmo.









